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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Deixemo-nos olhar pelo olhar materno e terno de Maria



O segundo dia da visita da imagem Peregrina, dia 11 de abril, teve como palco a vigararia de Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira. Um dia que se revelou pela muita chuva que se fez sentir mas que não demoveu o mar de gente que foi estando presente nos vários momentos previstos. A presença do bispo do Porto ao longo do dia e da noite foi um facto apreciado e revigorando de sentido esta peregrinação mariana pela diocese.
A receção da imagem aconteceu no largo de S. Lázaro em S. Martinho da Gândara, às 10h, que dali partiu (10h20) para o santuário de N.ª Sr.ª de La Salette. Antes de lá chegar, passou por Madaíl (10h30), Loureiro – Largo de N.ª Sr.ª da Alumieira (10h45), igreja de Ul (11h20), Travanca, Estrada Nacional n. 1 (11h50), Oliveira de Azeméis (12h) e La Salette (12h20). O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis não faltou, sabendo-se que Hermínio Loureiro é católico e um devoto de N.ª Senhora. A imagem permaneceu no santuário até às 18h15 e ali foi acorrendo muitos fiéis nos tempos orientados para as comunidades paroquiais do concelho. A saber: paróquias de Oliveira de Azeméis (12h30 às 13h30); Pinheiro da Bemposta (13h30 às 14h30); Palmaz e Travanca (14h30 às 15h30); Macinhata da Seixa e Ossela (15h30 às 16h30); Ul (16h30 às 17h30); e a cerimónia de despedida, com os vários grupos paroquiais e diferentes ministérios (das 17h30 às 18h)
Após a saída de Oliveira de Azeméis, o «mater mobile» fez-se ao caminho até chegar a S. João da Madeira, mais concretamente ao santuário de N.ª Sr.ª dos Milagres. Pelo caminho, N.ª Senhora continuou a visitar mais uns lugares e localidades, bem como os seus habitantes, atravessando: Santiago (Senhor da Campa – 18h15), igreja de Santiago (18h25), Salgueiro (18h35), Manta (18h33), Gandarinha e Mártir (18h40), Faria de Baixo (18h41), rua de N.ª Sr.ª da Conceição (18h43), capela de N.ª Sr.ª da Conceição (18h44), rua Padre José Andrade (18h45), rua Dr. Ângelo da Fonseca (18h46), rua de Cucujães (18h46), 8.ª Avenida (18h49), hipermercado Continente (18h50) e santuário de N.ª Sr.ª dos Milagres (19h).
De registar que o santuário estava a abarrotar de gente, sendo até pequeno para todos os que quiseram ir ali, ver e sentir de modo especial a Sr.ª de Fátima. Havia gente, fora da porta de entrada, a assistir à celebração. À chegada da imagem, sempre com flores e mais flores, lenços no ar e com chuva, o P. Artur de Matos Bastos (missionário da Boa Nova e pároco de Cucujães) – antes de dar a palavra ao bispo do Porto – deixou uma nota histórica: esta imagem Peregrina foi a primeira que se fez, no ano de 1947, para seguir para a Alemanha (Berlim), no contexto da II guerra mundial. “É uma alegria ter N.ª Sr.ª aqui, nesta cidade de trabalho. Peçamos-lhe que seja modelo para nós, a fim de seguirmos Jesus”, rematou. De seguida, D. António Francisco deixou uma palavra circunstancial e de improviso (sem texto escrito).
Saudação de D. António no santuário de N.ª Sr.ª dos Milagres
“Sintamo-nos bem, estamos na casa da Mãe, e é na casa da Mãe que sempre nos encontramos bem, aconchegados pelo seu amor materno e abraçados pela sua ternura de Mãe. Quero saudar N.ª Senhora nesta peregrinação que está a fazer à nossa diocese. Acolhemo-la com alegria, com amor e gratidão. Queremos deixar-nos olhar pelo seu olhar de Mãe.
[deixou saudações e agradecimentos aos presbíteros presentes e aos membros do Movimento da Mensagem de Fátima da diocese do Porto, na pessoa do seu presidente Dr. António Ferraz]
Vamos continuar esta vigília e, logo à noite, a procissão de velas, se o tempo e a chuva nos deixarem. Quero, desde já, recordar-vos o seguinte. O Santo Padre Papa Francisco aquando da sua última viagem, em que foi ao México, quis visitar o Santuário de N.ª Sr.ª de Guadalupe. Depois, teve um encontro com os bispos, do grande país do México. E disse-lhes assim: «eu quero que vos deixeis olhar pelo olhar da Mãe, a Senhora de Guadalupe, a ‘morenita’ como nós lhe chamamos aqui no México». Hoje, também, peço que vos deixeis olhar pelo olhar da Mãe, a Senhora de Fátima. Que ela olhe o nosso coração e a nossa vida; que ela envolva de ternura as nossas famílias e as nossas comunidades; que ela olhe para esta cidade – como nos dizia o P. Artur –, uma cidade de trabalho, de dignidade, de projetos, de sonhos e de vida cristã; que ela olhe para os nossos movimentos apostólicos, tão ativos e interventivos na nossa cidade de S. João da Madeira; que ela olhe para as nossas famílias, os nossos jovens e crianças, os nossos idosos e doentes, para aqueles que vivem momentos de dificuldade e provação. Deixemo-nos olhar pelo olhar materno e terno de Maria. Que este olhar nos ajude a ser cristãos responsáveis, conscientes e construtores de um mundo novo. E que esta ajuda que encontramos aqui – numa presença tão numerosa e tão participativa ao longo de todas as estradas e paróquias da nossa vigararia, mesmo com a intempérie do granizo –, os olhares, os gestos, as flores, as colchas, o encanto do olhar sereno das crianças, a alegria da juventude, as súplicas dos doentes e idosos e de tantas famílias que confiam em N.ª Senhora, são uma razão de fazermos hoje nossa a sua oração, para que eles saibam fazer sua, também, esta ternura que encontramos no olhar de N.ª Senhora, a Virgem do Rosário de Fátima, que vem ao encontro da cidade de S. João da Madeira neste Santuário de N.ª Sr.ª dos Milagres. Imploremos da Virgem Maria este milagre do fortalecimento da nossa fé, este milagre da construção de um mundo melhor, este milagre da paz. Ontem confiei, na igreja de Ovar, a minha primeira intenção neste peregrinar pela nossa Igreja do Porto: no início desta Semana das Vocações implorei que nos conceda abundantes vocações para a vida sacerdotal, religiosa e missionária. Confirmo hoje, e aqui, verdadeiro rasgo de generosidade é o dom dos nossos sacerdotes, das comunidades religiosas, dos consagrados e consagradas no meio do mundo. Mas, hoje, coloco-lhe outra intenção aqui, neste lugar e nesta cidade, peço por aqueles que não têm trabalho e procuram emprego, peço por aqueles que vivem provação e por aqueles que anseiam um projeto de futuro, sobretudo para tantos jovens diplomados que não encontram possibilidades de realização e de aprovação dos seus valores e dos seus talentos. Peço-lhe, nesta cidade do trabalho, por todas as empresas, pelos seus empresários e empreendedores, por aqueles que lutam por um salário digno, por aqueles que constroem um Portugal mais justo, por aqueles que querem um mundo melhor. Que esta intenção, que chega das vossas mãos rugosas do trabalho diário, dos vossos corações decididos e das vossas inteligências empreendedoras, fique aqui com N.ª Senhora. E peçamos-lhe, ainda, pelos nossos casais, pelas famílias e seus jovens que têm talento e coragem, que tem determinação de sonhos, para que os possam concretizar em Portugal e na nossa terra. Que Deus vos abençoe a todos e o olhar terno de N.ª Senhora nos envolva com a sua ternura, com o seu carinho, com a sua luz e com a sua bênção. Ámen”.

Finda esta saudação, em jeito de oração, a assembleia presente agradeceu as palavras do seu bispo com uma salva de palmas. Seguiram-se espaços de oração organizada, por turnos e pelas paróquias da vigararia, até ao momento da imagem deixar o santuário para percorrer as ruas da cidade de S. João da Madeira em majestosa procissão de velas. Foi assim distribuída a oração partilhada: paróquias de S. João da Madeira (19h às 19h30); S. Roque e Fajões (19h30 às 20h); Cesar e Pindelo (20h às 20h30), através dos seus movimentos, crianças e jovens. À noite, a chuva foi parando à medida que a procissão iniciava o seu itinerário, integrada por largas centenas de pessoas que deram mais luz à cidade, com as suas velas acesas. Além da cruz processional, completavam a procissão os vários pendões e bandeiras, erguidos pelos representantes de todas as paróquias de Oliveira de Azeméis e de S. João da Madeira. A oração do terço foi sendo orientada pelo pároco de S. João da Madeira, P. Domingos Milheiro Leite. No final, o bispo do Porto dirigiu uma pequena preleção espontânea à multidão (sem texto escrito)
Intervenção final de D. António Francisco, na procissão de velas
“Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira, nesta noite santa vivido em tempo pascal, acolhemos a Virgem Sr.ª do Rosário de Fátima. Sê bem-vinda, Mãe de Deus e nossa mãe. Cem anos passaram desde esse momento em que, ao longo desses seis meses de 1917, escolhestes a nossa terra e a nossa pátria, para permanecerdes mais perto junto de nós. Obrigado por essa escolha e por esta presença, por essa mensagem e por esta bênção. E obrigado, hoje, por teres vindo da Cova da Iria, da Serra d’Aire, até junto de nós. Recebemos-te desde a manhã, no extremo da nossa vigararia, no largo de S. Lázaro em S. Martinho da Gândara. A partir daí foram tantas as pessoas que cruzaram convosco o seu olhar, que aguardavam nas portas de suas casas, que quiseram saudar com o seu sorriso desde as crianças mais pequeninas aos idosos mais fragilizados pelo peso da idade ou – muitas vezes – magoados pela dureza da doença. Vistes os campos em que trabalhamos, as empresas que construímos, as casas que habitamos, as escolas onde aprendemos, as igrejas onde rezamos. Percorreste connosco os caminhos, como quem já está habituada a fazê-lo. Não fomos nós que te ensinamos os caminhos da nossa terra, sempre habitaste connosco, sempre vos fizeste presente com a vossa bênção. Mas hoje vimos-te mais próxima e sentimos-te mais presente. Agradecemos-te a tua ternura de mãe, o teu aconchego e proximidade. Trazemos, ao longo deste dia, as nossas comunidades paroquiais. Olhai estas cruzes levantadas, símbolo e sinais da nossa redenção, vede os estandartes que marcam a alma cristã das nossas paróquias, lede o seu nome, conhecei os seus habitantes, abençoai as suas famílias. Mas, nesta noite, quiseste percorrer o chão sagrado desta grande cidade de S. João da Madeira. Percorrestes avenidas e ruas, desde o santuário da Senhora dos Milagres e vistes a ação dos nossos antepassados para afirmar este culto mariano da nossa terra. Fomos ajudados, neste caminho, pelas autoridades – a quem queremos agradecer – e por todos os responsáveis que colaboraram e prepararam este momento, concretamente à Polícia de Segurança Pública e aos Bombeiros Voluntários da nossa cidade, e a todos os organismos e associações nós agradecemos e pedimos-vos que os abençoeis. Somos muitos nesta noite de frio e de chuva. Nada nos impediu de aqui estarmos, mesmo aqueles que não puderam estar aqui nesta hora, os nossos doentes. Peço-te, ó mãe, que olhes com particular carinho para eles, abençoa-os e dá força às suas família, que são testemunho generoso de bênção, de cuidado, de carinho, de dedicação, de entrega, de vidas dadas por inteiro a favor daqueles que mais precisam. Escolhemos este amplo largo, entre o hospital e a Misericórdia, para que de olhos voltados para a cidade sintamos hoje as instituições que ao longo dos séculos cultivam o sentido do bem dos outros, praticam as obras de misericórdia com alegria, como é lema diocesano da quaresma e páscoa deste ano, e proclamam que são felizes os misericordiosos. Só tu conheces, Senhora, quantos sofrem aqueles que no hospital, na casa de repouso, nas nossas famílias precisam da ajuda de tanta gente, que assume como lema e como imperativo de missão realizar as obras de misericórdia. Queremos agradecer-te todos quantos, em cada dia, dão de comer a quem tem fome, dão de beber a quem tem sede, vestem os nus, visitam os doentes, assistem os presos, acolhem os peregrinos, sepultam com respeito e dignidade os mortos. Agradecemos-te, ó mãe, todos quantos dão um conselho, todos quantos ensinam os ignorantes, todos quantos corrigem os que erram, todos quantos sofrem com paciência as fraquezas do nosso próximo e, todos quantos diariamente rezam pelos vivos e pelos defuntos. Que nestas 14 obras de misericórdia, nós sintamos, Senhora, que estamos a construir um mundo melhor e que estamos a ir, como cristãos, ao encontro de todas as periferias, como nos pede o Papa Francisco. Sabemos a devoção que ele tem. No dia a seguir à sua eleição para bispo de Roma e de pastor universal da Igreja, quis que o seu primeiro gesto – ao acordar da manhã nesse primeiro dia do seu pontificado – fosse levar um ramo de flores ao teu altar, na basílica de Santa Maria em Roma, em que és invocada como a «salvação do povo romano». Invoco-te hoje, ó Senhora, Mãe de Deus e nossa mãe, Virgem Peregrina de Fátima, como salvação do nosso povo, bênção da nossa diocese, rainha de Portugal. Que nesta noite, diante desta multidão, encontres todos os habitantes desta cidade e nestes dois concelhos de S. João da Madeira e de Oliveira de Azeméis. Vieram de longe muitos dos que aqui estão, pelo silêncio da noite, com os seus filhos aconchegados ao colo, com as suas preces e as suas orações, com as suas lágrimas e os seus louvores, com a sua gratidão e com a sua homenagem, com a sinceridade de coração, com a verdade da vida, com os olhos no futuro. Estamos aqui hoje, Senhora e Mãe, para agradecermos teres vindo até junto de nós. Mas estamos todos aqui, também, para te pedir que fiques sempre connosco. Abençoa a nossa cidade, abençoa a nossa vigararia, abençoa a nossa diocese, neste projeto de renovação pastoral em que queremos fazer da alegria do Evangelho do vosso Filho a nossa missão de cada dia. E hoje, neste dia, foi nossa missão percorrer e rezar como ensinastes aos Pastorinhos de Fátima, por nós e pelo mundo, pela Igreja e pela conversão, pela paz e pelo bem. Acompanhar-te-emos, Senhora, até à nossa igreja conventual de Cucujães, sabemos que aí ficarás connosco para que veles connosco sempre, mesmo nas longas noites de silêncio, mesmo nas horas em que podes parecer mais distante. Aí estaremos também. Para que nesta noite e em vigília, saibamos que as grandes vigílias da noite anunciam sempre novos dias de bênção, de graça, de alegria e de dia. Que assim seja Senhora, nossa mãe, padroeira de Portugal”.
Testemunhos recolhidos
– “Vivo com muita emoção esta visita. Eu gosto muito de ir a Fátima, porque tenho muita fé. E N.ª Senhora costuma atender as minhas preces. Peço agora para me conceder uma graça que eu preciso muito, mas que prefiro não dizer” (Angelina Amaral, da capela de St. António de S. João da Madeira – portuguesa que viveu 20 anos no Brasil e que o sotaque não permite “disfarçar”).
– “É muito significativo este momento excecional. Sentimos, também assim, N.ª Senhora mais perto de nós, pois ela é nossa Mãe e ampara-nos nos problemas da vida. Por isso, lhe dedicamos uma atenção especial” (casal José João e Belmira Oliveira, de Arrifana, S. João da Madeira).
(Grande reportagem do segundo dia da visita. Por: ANDRÉ RUBIM RANGEL)

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